sábado, 16 de outubro de 2010

FILHOS, PARA QUE TÊ-LOS?

Nesses últimos dias a disputa eleitoral foi direcionada a uma discussão polêmica, o aborto. Muito já se discutiu acerca desse assunto e muita água há de rolar nesse sentido.
Filhos, para que tê-los? Já ouvi muito essa frase, sempre entoada no seu sentido pejorativo. Uma indagação pessimista, negativa e deprimente.
Um filho transforma a vida de qualquer pessoa, hábitos, maneira de pensar e agir. O primeiro hábito a mudar é o sono, você passa a dormir menos e valorizar cada minuto dele. A alimentação também é alterada, você passa a ser o último a comer e já não se preocupa tanto se a a comida está quente ou fria. Porém, toda essa mudança se justifica, racional ou emocionalmente.
O nascimento de um bebê reflete esperança, motivação, renovação de vontade e otimismo, mas traz consigo responsabilidade e algumas preocupações com a nova vida.
Um filho nos dá maturidade para encarar o mundo de maneira mais equilibrada, aprendemos a lidar com as adversidades, a planejar o futuro e a ajustar o plano às novas exigências da criança.
Aprendemos, também, a ter paciência, e em larga escala. Coisas que até bem pouco tempo atrás irritava, hoje, já nem prestamos atenção, algumas delas até divertem.
Mas nada, absolutamente nada no mundo é melhor do que ver aquele “você em miniatura” desenvolvendo habilidades, crescendo, ganhando autonomia, tomando decisões, pedindo ajuda, errando, acertando, enfim, vivendo.
Os filhos nos fazem aprender, na marra, o sentido da palavra amor. Amamos nossos pimpolhos incondicionalmente, cada uma das coisas que fazem e numa intensidade jamais imaginada. É um amor que dói, mas é uma dor gostosa, que enche a alma de ternura, que nos anima para encarar o dia a dia com garra e otimismo.
Há uma passagem bíblica que expressa exatamente o que pretendo com esse post. Trata-se da primeira carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, a qual transcrevo abaixo:
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”
Respondendo ao título desse post: Ter filhos nos ensina a amar e a viver conforme o entusiasmo das crianças, a acordar e enxergar o lado bom das coisas, inclusive o nosso próprio que insistimos em esconder.
Agradeço a Deus por ter me dado a possibilidade de entender isso através de meus filhos amados.
Valdemiro Kreusch Júnior

Um comentário:

  1. Que obra, que texto bem escrito, bem elaborado, quanta emoção e sentimento. Enquanto me recomponho da leitora em meio à emoção despertada pela identificação com o texto, estava pensando em como pude viver tanto tempo sem minha filha, que com apenas sete meses mudou tanto a minha vida para melhor, e despertou tanta coisa positiva em nossos sentimentos.
    Como é bom ser pai, se deixar ser segundo no amor da esposa por um amor maior. Esposas, nós entendemos.
    Como é bom saber que é apenas um grãozinho de arreia comparando o que vivemos com que ainda vamos viver com estes pequenos.

    Obrigado por dividir o texto.
    Ismael Gonçalves

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