segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ARTE DA LINGUAGEM

A língua é um elemento da cultura dos povos que possui um potencial de proporções inimagináveis. Um instrumento conciliador ou desagregador. Uma palavra bem ou mal colocada exerce um efeito estupendo no mundo, mais ainda na vida das pessoas.
Outro dia lembrei do filme “Treze dias que abalaram o mundo”, um drama que demonstra a cena política de 1962, na qual o mundo beira à guerra nuclear, promovida por norte americanos e russos, tendo como bode expiatório a ilha caribenha de Fidel.
No referido filme há algumas cenas em que a família Kennedy confabula acerca das palavras transmitidas pelo premiê russo, tentando interpretar seu texto e não causar um desastre atômico. Contrariamente, o comando militar ianque pretende iniciar a guerra, desconsiderando o telegrama do leste.
Imaginem só o resultado que teríamos caso a interpretação dada fosse aquela proposta pelos comandantes militares, ou se o bom senso não prevalecesse.
No exercício da linguagem, normalmente, não nos preocupamos na melhor escolha das palavras, o que pode ser um erro capital. A semântica pode ser avassaladora, apenas pela falta de uma simples vírgula.
A língua portuguesa é um diamante, o qual deve ser lapidado por seus operadores, sob o risco de tornar-se dinamite. Um instrumento de raríssima qualidade cuja dinâmica deve ser estudada por cada um de nós. Não sou nenhum especialista no assunto. Certamente esse texto contém inúmeros erros, mas, certamente, um recado estou transmitindo: a utilização da linguagem é uma arte.


Valdemiro Kreusch Júnior

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PARTICIPAÇÃO POPULAR

Hoje, ao ler uma pesquisa realizada por um instituto paranaense, fiquei impressionado com o resultado apresentado. Há, em Curitiba, 7,75% da população que não sabe que nas eleições deste ano será definido o novo Presidente da República.
Essa pesquisa foi realizada numa capital tida, há anos consecutivos, como modelo, um dos primeiros lugares do país a ter coleta seletiva de lixo, um dos melhores ambientes para se realizar negócios no mundo, com uma população envolvida politicamente, talvez a cidade que melhor representa o tal “sul maravilha”.
Tendo em vista esses elementos, a informação da pesquisa me deixou pensativo em relação ao modelo democrático que o Brasil tem construído ao longo dos últimos 22 anos.
Que democracia é essa cujas principais emissoras de televisão estão sob o comando de políticos beneficiados pelas concessões estatais?
Que democracia é essa em que a população desconhece os cargos em disputa na principal eleição nacional?
Quantas leis foram propostas por iniciativa popular nos últimos anos?
O brasileiro, ultimamente, tem se vangloriado por ter eleito um operário ao principal cargo do executivo nacional. Um exemplo do poder da democracia, sem dúvida, mas isso não é nada comparado ao verdadeiro sentido de “demo kratos”.
Você acredita, caro leitor, que as grandes e mais importantes decisões do país estão sendo tomadas pela população? Quantas audiências públicas realizadas no seu bairro para definir questões de segurança, saúde ou educação você participou nos últimos 10 anos? Caso você resida em apartamento, quantas reuniões de condomínio você participou nessa década?
Temos muito a construir.
Participe, comente esse artigo, será um prazer tê-lo nessa discussão.

Valdemiro Kreusch Júnior

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ATITUDE E SOLIDARIEDADE, AS FERRAMENTAS PARA UM MUNDO MELHOR

O PESO DO PRESO

É interessante verificar as notícias e os comentários feitos acerca dos problemas carcerários e o peso do preso nesse sistema.
Ainda não encontrei nenhuma reportagem dizendo: “O problema é da sociedade.” ou ainda, “A responsabilidade da sociedade em relação aos crimes.”, o que me deixa preocupado, de certa forma. A impressão é que vivemos mundos paralelos; O mundo do criminoso e o mundo perfeito. Uma hipocrisia sem precedentes.
Certamente muitos dos leitores não concordarão comigo e acharão que lugar de bandido é na cadeia ou morto. Convido-os a pensar um pouco.
Segundo as teorias contratualistas, os indivíduos, basicamente, cederam “parte” de sua liberdade para o Estado, no intuito de que este regule os interesses da coletividade. A partir disso, todos nós colocamos um tampão sobre nossos olhos, o qual impede que enxerguemos a realidade: o contrato social firmado estabeleceu que apenas uma parcela da liberdade (leia-se também responsabilidade) fora cedida. Isso não significa que cada um de nós tenha ficado isento de responsabilidades, muito pelo contrário, continuamos responsáveis pelo bom andar da carruagem chamada sociedade.
O fato é que não queremos nos envolver nas questões sociais, políticas ou criminais, queremos apenas que o criminoso seja enjaulado, retirado da sociedade e, se possível nunca mais retorne; Que o político mantenha a economia funcionando e meu emprego garantido; Que a sociedade seja cada dia mais individualista e que eu não precise pensar em nada disso.
Feito tolos, não vemos o mal que estamos fazendo para o semelhante e para nós mesmos. Estamos estocando pólvora em um barril prestes a estourar.
Já que vivemos um Estado Social de Direito, mais ainda, numa democracia, é nossa obrigação pressionar o Estado a cumprir com suas funções essenciais, fornecendo saúde, educação, dignidade, propiciando a melhora nas condições de vida das pessoas. Não podemos assistir calados a aberrações legislativas, judiciais ou administrativas, tal como estamos acostumados.
Não podemos nos contentar em ver o mundo sob a ótica dada por uma elite dominante, a qual impõe sua hegemonia através dos meios de comunicação, da igreja, da escola ou do cinema. Devemos desenvolver um pensamento crítico sobre as coisas e enxergar o que há por trás do PESO DO PRESO.

Valdemiro Kreusch Júnior

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A CORRUPÇÃO E OS CORRUPTOS

Gerson era um jogador de futebol da seleção canarinho, em 1976, protagonista de um comercial para os cigarros Vila Rica. Nesta propaganda veiculada nas principais redes de televisão nacionais, o referido jogador dizia ao final: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.
Assim nasceu um cancro da cultura brasileira, a infelizmente famosa “Lei de Gerson”.
Esse comercial foi responsável pela instalação de um modo de pensar declaradamente corrupto em nosso país, virou moda levar vantagem em tudo e arrumar um jeitinho brasileiro para fazer as coisas. O que lamentavelmente perdura até os dias atuais.
Em recente estudo acadêmico, realizado junto à Polícia Federal, foi detectado que 22% da atividade daquela corporação fora desenvolvido em investigações e combate ao crime de corrupção, sendo seguido pelo tráfico de drogas. Esse número pode parecer pequeno (22%), mas representa a maioria das investigações realizadas pela PF.
Segundo um estudo realizado pela FIESP, o PIB per capita brasileiro subiria em 15% se o Brasil figurasse entre os menos corruptos. Nosso país ocupa a vergonhosa 75ª. posição dentre os países mais corruptos do mundo.
A cada dia ouvimos uma nova denúncia. Da mesma forma, vemos declarações de cidadãos condenando a prática criminosa, mas o que constatamos é que numa situação propícia inúmeros daqueles que condenam o ato acabam por praticá-lo.
Mas onde quero chegar com tudo isso?
Quero um país ético, que tenha vergonha de informações como essas que acabei de relatar. Se há corrupção é porque existem pessoas dispostas a cometê-la, ou pior, apenas aguardando a oportunidade para tal.
Uma intervenção de um policial quando se está em excesso de velocidade (não tem como deixar passar essa, seu guarda), ou ainda a fiscalização de um membro da Receita Federal (poxa vida, não tem jeito, Sr. Fiscal?), ou pior, em ano eleitoral (eu voto no senhor, mas tem como me arrumar uma cesta básica?).
Caros amigos, leitores e seguidores, convido-os a continuar esse post através dos seus comentários, vamos debater nossas mazelas e buscar melhoramentos para nosso país.


Valdemiro Kreusch Júnior