sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A HISTÓRIA DAS COISAS



Esse vídeo apresenta uma análise muito interessante sobre o modelo de consumo imposto pelo sistema capitalista ao qual estamos submetidos.
Afinal, o que estamos fazendo conosco e com nosso mundo?
Paremos e pensemos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ITAIPU BINACIONAL, MINIATURA DA BIOCIVILIZAÇÃO

Há hoje na cultura mundial muita desesperança e perplexidade generalizada. Não sabemos para onde estamos rumando. O vôo é cego num rumo ao desconhecido.
O que mais dói é a falta de alternativa ao modelo vigente que visa grande acumulação em vista do acelerado consumo, à custa da depredação da natureza e da geração de gritantes injustiças sociais a nivel mundial.
Com as "externalidades" surgidas (aquecimento global, escassêz de recursos, desequilíbrio global do sistema-Terra) a sensação predominante é que assim como está o mundo não pode continuar. Temos que mudar. Por isso, por todas as partes, surgem novas visões e especialmente práticas que nos devolvem certa esperança de que outro mundo é possível e necessário.
A nova centralidade gira ao redor do cuidado da vida, da salvaguarda da Humanidade e da proteção do planeta Terra. O que vai nascer será uma biocivilização ou uma Terra da Boa Esperança (Ignacy Sachs).
Eis que em nosso pais encontramos uma miniatura do desejo coletivo, uma pequena antecipação daquilo que deverá ser dominante na Humanidade: o projeto "Cultivando Agua Boa" da Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná.
Aí, num acordo entre Brasil e Paraguai, se construiu a maior hidrelétrica do mundo com um reservatório de água de 176 quilômetros de comprimento, onde estão estocados 19 bilhões de metros cúbicos de água, utilizados por 20 turbinas que geram 14 mil megawatts.
Qual foi o "insight" de seus diretores Jorge Samek e Nelton Friedrich já nos inícios de sua administração em 2003? Que a água não se destina apenas para produzir energia elétrica, mas também para gerar todo tipo de energia necessária aos seres que dependem vitalmente da água, especialmente os humanos.
Foi então que se modelou o projeto "Cultivando Agua Boa" que envolve os 29 municípios lindeiros nos quais vivem cerca de um milhão de pessoas, com a criação de aves e suinos, das maiores do pais.
Trata-se de um projeto altamente complexo que envolve praticamente todas as dimensões da realidade, resultando numa verdadeira revolução cultural, pois este é o propósito dos milhares que implementam o projeto.
É exatamente isso que precisamos: de um novo ensaio civilizatório, testado numa miniatura, que seja viável dentro das condições mudadas da Terra em processo de aquecimento e de exaustão de seus recursos. O mote diz tudo:"um novo modo de ser para a sustentabilidade".
Sempre afirmei que a sustentabilidade foi sequestrada pelo projeto do capital, esvaziando-a para impedir que significasse um paradigma alternativo a ele, já que é intrinsecamente insustentável. Libertada deste cativeiro, ela adquire valor central de um novo arranjo civilizatório que estabelece uma equação equilibrada entre ser humano-natureza-desenvolvimento-solidariedade generacional.
Em Itaipu se conseguiu instaurar esta equação feliz. Começaram corretamente com a sensibilização das comunidades. Quer dizer, iniciaram com o alargamento das consciências, convocando nomes notáveis do pensamento ecológico, como F. Capra, Enrique Leff (Pnuma latinoamericano), Marcos Sorrentino, Carlos e Paulo Nobre entre outros. Eu mesmo acompanho o projeto desde o seu início.
Definiram o espaço não pelos limites arbitrários dos municípios mas pelos naturais das hidrobacias. Envolveram todas as comunidades, criando comités gestores de cada bacia, legalizados pelas prefeituras. Sabiamente se deram conta de que a educação ambiental representa o motor da mudança de ser, de sentir, de produzir e de consumir. Não é isso a inauguração de uma revolução cultural?
Formaram algumas centenas de formadores ambientais, atingindo milhares de pessoas. Uma nova geração está surgindo que busca um modo sustentável de viver.
No próximo artigo quero detalhar o vasto campo de atividades que vão desde o aproveitamento dos dejetos sólidos gerando energia, até a inovação tecnológica com o carro elétrico, a pesquisa sobre o hidrogênio, a criação do Centro de Saberes e Cuidados Ambientais e a da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).
Quem acompanha aquele projeto sai com esta certeza: a Humanidade é resgatável, ela tem jeito, é possível, como dizia Fernando Pessoa, criar um mundo que ainda não foi ensaiado.

Texto de Leonardo Boff
Fonte: Blog do Noblat

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

BRASIL DE BOTEQUIM II

Estamos a menos de 10 dias das eleições que vão determinar quem será nosso governante para os próximos 4 anos. A disputa eleitoral está acirrada e o povo tomando as ruas para apoiar seus candidatos. Um exemplo de democracia e exercício de cidadania. Será? Tenho minhas dúvidas.
Desde o início dessa campanha eleitoral eu não escutei nenhuma proposta consistente de nenhum candidato, de nenhum deles. Nos debates, o discurso era farei isso, aquilo, mas ninguém demonstrou um plano para o Brasil, muito menos as fontes de recurso para financiar as promessas.
Agora, no segundo turno, a coisa degringolou, é uma guerra pra ver quem é o mais carola, ou melhor, mais cristão. O último e fenomenal debate entre os candidatos, presidente e população é o raio da bolinha de papel ou da bexiga d’água.
A imprensa tem jogado uma nuvem de fumaça nos olhos dos brasileiros, e o pior, a maioria foi cegado por ela. Isso acontece porque não há propostas a serem debatidas, não há qualificação entre os candidatos. Por falta de conteúdo vamos construindo um Brasil de botequim.
Aqui não defendo nenhum dos lados da disputa, até porque acho que nenhum dos dois serve para o Brasil. O que me deixa profundamente aborrecido é ver pessoas intelectuais, acadêmicos que conheço entrarem nessa onda de discussão sobre aborto, bexiga ou papel, tentando defender um ou outro candidato.
Caros leitores e amigos, peço-lhes discernimento para que esse debate não tome conta de nosso dia a dia político, cabe a nós, cidadãos, elevar o nível, exigir debate de conteúdo, um programa de governo, um norte para o futuro nosso e do nosso país. Precisamos impedir a criação do Brasil de Botequim.

Valdemiro Kreusch Júnior

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BRASIL DE BOTEQUIM

Li em um jornal de circulação nacional uma notícia acerca de um projeto de lei que propõe o aumento da pena máxima no Brasil, de 30 para 50 anos.
Se não bastasse o absurdo da proposta, pior é o argumento de defesa, o qual faz uma análise da expectativa de vida atual do brasileiro em comparação com a década de 1940, época do nosso Código Penal.
Essa análise, deveras “inteligente”, da expectativa de vida do brasileiro me fez lembrar das cenas iniciais do filme Tropa de Elite 2, em que um historiador faz uma conta, daquelas de botequim, e afirma que dentro de 50 anos todos os brasileiros estarão presos.
Fiquei impressionado com a superficialidade do referido projeto de lei e com a falta de critérios para estabelecimento da política penal no Brasil. No meu entendimento essa proposta padece de um vício de inconstitucionalidade, uma vez que condena o cidadão a uma pena de prisão perpétua, o que é vedado em nosso ordenamento. Sem falar da violação aos princípios da Proporcionalidade e Humanidade das Penas e da Diganidade Humana.
Vejamos: para uma pessoa ser penalmente imputável deve ter idade acima de 18 anos. Imaginando, portanto, um crime hediondo cometido por um cidadão com essa idade e que seja condenado a pena máxima, este terá pago sua “dívida com a sociedade” aos 68 anos de idade. Levando em conta as condições carcerárias que verificamos por aqui é de se esperar que essa pessoa não alcance os 73 anos de idade, expectativa de vida nacional.
Como já escrevi em outro post (O PESO DO PRESO – 14/09/2010), a sociedade tem a intenção de isolar o delinquente, retirá-lo do convívio social, expurgá-lo de nosso campo de visão e se possível não dar-lhe oportunidade de retorno.
Com esse tipo de atitude caminhamos para um Brasil de botequim, no qual temas centrais de campanhas eleitorais escondem a incapacidade de todos os candidatos e decisões importantes para o mundo surgem de cálculos e previsões esdrúxulas rabiscados num papel de seda.

Valdemiro Kreusch Júnior

sábado, 16 de outubro de 2010

FILHOS, PARA QUE TÊ-LOS?

Nesses últimos dias a disputa eleitoral foi direcionada a uma discussão polêmica, o aborto. Muito já se discutiu acerca desse assunto e muita água há de rolar nesse sentido.
Filhos, para que tê-los? Já ouvi muito essa frase, sempre entoada no seu sentido pejorativo. Uma indagação pessimista, negativa e deprimente.
Um filho transforma a vida de qualquer pessoa, hábitos, maneira de pensar e agir. O primeiro hábito a mudar é o sono, você passa a dormir menos e valorizar cada minuto dele. A alimentação também é alterada, você passa a ser o último a comer e já não se preocupa tanto se a a comida está quente ou fria. Porém, toda essa mudança se justifica, racional ou emocionalmente.
O nascimento de um bebê reflete esperança, motivação, renovação de vontade e otimismo, mas traz consigo responsabilidade e algumas preocupações com a nova vida.
Um filho nos dá maturidade para encarar o mundo de maneira mais equilibrada, aprendemos a lidar com as adversidades, a planejar o futuro e a ajustar o plano às novas exigências da criança.
Aprendemos, também, a ter paciência, e em larga escala. Coisas que até bem pouco tempo atrás irritava, hoje, já nem prestamos atenção, algumas delas até divertem.
Mas nada, absolutamente nada no mundo é melhor do que ver aquele “você em miniatura” desenvolvendo habilidades, crescendo, ganhando autonomia, tomando decisões, pedindo ajuda, errando, acertando, enfim, vivendo.
Os filhos nos fazem aprender, na marra, o sentido da palavra amor. Amamos nossos pimpolhos incondicionalmente, cada uma das coisas que fazem e numa intensidade jamais imaginada. É um amor que dói, mas é uma dor gostosa, que enche a alma de ternura, que nos anima para encarar o dia a dia com garra e otimismo.
Há uma passagem bíblica que expressa exatamente o que pretendo com esse post. Trata-se da primeira carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, a qual transcrevo abaixo:
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”
Respondendo ao título desse post: Ter filhos nos ensina a amar e a viver conforme o entusiasmo das crianças, a acordar e enxergar o lado bom das coisas, inclusive o nosso próprio que insistimos em esconder.
Agradeço a Deus por ter me dado a possibilidade de entender isso através de meus filhos amados.
Valdemiro Kreusch Júnior

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PASSO A PASSO, COMO ESCOLHER UM CANDIDATO


Está chegando o dia, vamos votar no próximo final de semana!
Apresento abaixo um passo-à-passo para escolher bons candidatos:

COMO ESCOLHER SEUS CANDIDATOS?

1) Antes de mais nada, dispa-se de partidarismos, fanatismos e preconceitos e comprometa-se apenas com o que seria melhor para todo o país - tem muita gente votando como quem torce por um time de futebol e essas pessoas, na verdade, não fazem a menor idéia do que seus candidatos têm feito, quem realmente são ou o que tencionam fazer!;

2) Procure-o (ou procure por um) no www.fichalimpa.org.br - é o site oficial do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE*), que foi quem criou, 8 anos atrás, a lei complementar Ficha Limpa (LC135/2010). Nele, os candidatos se cadastram e aguardam sua aprovação. Esses candidatos merecem DEMAIS nosso apoio por vários motivos: são Ficha Limpa, discriminam e demonstram imediatamente todos os gastos eleitorais (sem esperar pelo fim das eleições, como é garantido por lei) e, acima de tudo, acreditaram e incentivam a iniciativa popular;

3) Se ele não se cadastrou no site Ficha Limpa, procure-o no TSE: 
http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/jsp/framesetPrincipal.jsp
Situação: "Apto";

4) Com o nome do candidato em mãos, veja o que aparece sobre ele no www.deunojornal.org.br/busca.phpr. O projeto Deu No Jornal é idôneo e neste site está uma compilação com todas as notícias de jornal que sitam corrupção de todo o Brasil, desde 2002. Aqui vale ler com calma e analisar se eles têm acúmulo de boas ou más notícias. Use o bom senso;

5) Se seu candidato não aparece como corrupto ou com suspeitas de ser corrupto no Deu No Jornal e se ele está pleiteando a reeleição, veja se ele está no Excelências: www.excelencias.org.br; Neste site você pode saber TUDO sobre candidatos que estão na câmara dos deputados;

6) Se ele nunca foi candidato, vasculhe o Google, começando pelo site da sua campanha e indo além.

7) Repare nas entrelinhas - analise suas parcerias (use o processo acima). Quem faz pactos com corruptos não quer vê-los longe do poder - quer dividir com eles...

8) NÃO DESISTA! Votar nulo é deixar de decidam por você. 
Em tempo: VOTO NULO NÃO ANULA AS ELEIÇÕES!
http://www.avozdocidadao.com.br/boletim_agito_geral_globo/cidadao_globo_VC_2010_08_28_voto_nulo_nao_anula_eleicao.mp3

LINKS BÔNUS!
Ainda está completamente perdido?? Não se preocupe. 

Estes links contém testes idôneos que cruzam as expectativas do eleitor com as propostas e perfil dos candidatos - façam todos!

Que candidato pensa como você? 
http://veja.abril.com.br/eleicoes/eleicoes-2010-teste-candidatos-pensa-voce.shtml 

Qual seu candidato à Câmara dos Deputados ideal? 
http://www.votoaberto.com.br/extratoparlamentar/ 

Qual seu candidato ao Senado ideal?
http://www.questaopublica.org.br/ 

Seu candidato ideal em 8 perguntas.
http://www.repolitica.com.br/

Não perca seu tempo e seu voto. Exerça sua cidadania de maneira consciente.
Bom voto e bom final de semana.

Valdemiro Kreusch Júnior


    segunda-feira, 27 de setembro de 2010

    A ARTE DA LINGUAGEM

    A língua é um elemento da cultura dos povos que possui um potencial de proporções inimagináveis. Um instrumento conciliador ou desagregador. Uma palavra bem ou mal colocada exerce um efeito estupendo no mundo, mais ainda na vida das pessoas.
    Outro dia lembrei do filme “Treze dias que abalaram o mundo”, um drama que demonstra a cena política de 1962, na qual o mundo beira à guerra nuclear, promovida por norte americanos e russos, tendo como bode expiatório a ilha caribenha de Fidel.
    No referido filme há algumas cenas em que a família Kennedy confabula acerca das palavras transmitidas pelo premiê russo, tentando interpretar seu texto e não causar um desastre atômico. Contrariamente, o comando militar ianque pretende iniciar a guerra, desconsiderando o telegrama do leste.
    Imaginem só o resultado que teríamos caso a interpretação dada fosse aquela proposta pelos comandantes militares, ou se o bom senso não prevalecesse.
    No exercício da linguagem, normalmente, não nos preocupamos na melhor escolha das palavras, o que pode ser um erro capital. A semântica pode ser avassaladora, apenas pela falta de uma simples vírgula.
    A língua portuguesa é um diamante, o qual deve ser lapidado por seus operadores, sob o risco de tornar-se dinamite. Um instrumento de raríssima qualidade cuja dinâmica deve ser estudada por cada um de nós. Não sou nenhum especialista no assunto. Certamente esse texto contém inúmeros erros, mas, certamente, um recado estou transmitindo: a utilização da linguagem é uma arte.


    Valdemiro Kreusch Júnior

    quarta-feira, 22 de setembro de 2010

    PARTICIPAÇÃO POPULAR

    Hoje, ao ler uma pesquisa realizada por um instituto paranaense, fiquei impressionado com o resultado apresentado. Há, em Curitiba, 7,75% da população que não sabe que nas eleições deste ano será definido o novo Presidente da República.
    Essa pesquisa foi realizada numa capital tida, há anos consecutivos, como modelo, um dos primeiros lugares do país a ter coleta seletiva de lixo, um dos melhores ambientes para se realizar negócios no mundo, com uma população envolvida politicamente, talvez a cidade que melhor representa o tal “sul maravilha”.
    Tendo em vista esses elementos, a informação da pesquisa me deixou pensativo em relação ao modelo democrático que o Brasil tem construído ao longo dos últimos 22 anos.
    Que democracia é essa cujas principais emissoras de televisão estão sob o comando de políticos beneficiados pelas concessões estatais?
    Que democracia é essa em que a população desconhece os cargos em disputa na principal eleição nacional?
    Quantas leis foram propostas por iniciativa popular nos últimos anos?
    O brasileiro, ultimamente, tem se vangloriado por ter eleito um operário ao principal cargo do executivo nacional. Um exemplo do poder da democracia, sem dúvida, mas isso não é nada comparado ao verdadeiro sentido de “demo kratos”.
    Você acredita, caro leitor, que as grandes e mais importantes decisões do país estão sendo tomadas pela população? Quantas audiências públicas realizadas no seu bairro para definir questões de segurança, saúde ou educação você participou nos últimos 10 anos? Caso você resida em apartamento, quantas reuniões de condomínio você participou nessa década?
    Temos muito a construir.
    Participe, comente esse artigo, será um prazer tê-lo nessa discussão.

    Valdemiro Kreusch Júnior

    quinta-feira, 16 de setembro de 2010

    ATITUDE E SOLIDARIEDADE, AS FERRAMENTAS PARA UM MUNDO MELHOR

    O PESO DO PRESO

    É interessante verificar as notícias e os comentários feitos acerca dos problemas carcerários e o peso do preso nesse sistema.
    Ainda não encontrei nenhuma reportagem dizendo: “O problema é da sociedade.” ou ainda, “A responsabilidade da sociedade em relação aos crimes.”, o que me deixa preocupado, de certa forma. A impressão é que vivemos mundos paralelos; O mundo do criminoso e o mundo perfeito. Uma hipocrisia sem precedentes.
    Certamente muitos dos leitores não concordarão comigo e acharão que lugar de bandido é na cadeia ou morto. Convido-os a pensar um pouco.
    Segundo as teorias contratualistas, os indivíduos, basicamente, cederam “parte” de sua liberdade para o Estado, no intuito de que este regule os interesses da coletividade. A partir disso, todos nós colocamos um tampão sobre nossos olhos, o qual impede que enxerguemos a realidade: o contrato social firmado estabeleceu que apenas uma parcela da liberdade (leia-se também responsabilidade) fora cedida. Isso não significa que cada um de nós tenha ficado isento de responsabilidades, muito pelo contrário, continuamos responsáveis pelo bom andar da carruagem chamada sociedade.
    O fato é que não queremos nos envolver nas questões sociais, políticas ou criminais, queremos apenas que o criminoso seja enjaulado, retirado da sociedade e, se possível nunca mais retorne; Que o político mantenha a economia funcionando e meu emprego garantido; Que a sociedade seja cada dia mais individualista e que eu não precise pensar em nada disso.
    Feito tolos, não vemos o mal que estamos fazendo para o semelhante e para nós mesmos. Estamos estocando pólvora em um barril prestes a estourar.
    Já que vivemos um Estado Social de Direito, mais ainda, numa democracia, é nossa obrigação pressionar o Estado a cumprir com suas funções essenciais, fornecendo saúde, educação, dignidade, propiciando a melhora nas condições de vida das pessoas. Não podemos assistir calados a aberrações legislativas, judiciais ou administrativas, tal como estamos acostumados.
    Não podemos nos contentar em ver o mundo sob a ótica dada por uma elite dominante, a qual impõe sua hegemonia através dos meios de comunicação, da igreja, da escola ou do cinema. Devemos desenvolver um pensamento crítico sobre as coisas e enxergar o que há por trás do PESO DO PRESO.

    Valdemiro Kreusch Júnior

    segunda-feira, 13 de setembro de 2010

    A CORRUPÇÃO E OS CORRUPTOS

    Gerson era um jogador de futebol da seleção canarinho, em 1976, protagonista de um comercial para os cigarros Vila Rica. Nesta propaganda veiculada nas principais redes de televisão nacionais, o referido jogador dizia ao final: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.
    Assim nasceu um cancro da cultura brasileira, a infelizmente famosa “Lei de Gerson”.
    Esse comercial foi responsável pela instalação de um modo de pensar declaradamente corrupto em nosso país, virou moda levar vantagem em tudo e arrumar um jeitinho brasileiro para fazer as coisas. O que lamentavelmente perdura até os dias atuais.
    Em recente estudo acadêmico, realizado junto à Polícia Federal, foi detectado que 22% da atividade daquela corporação fora desenvolvido em investigações e combate ao crime de corrupção, sendo seguido pelo tráfico de drogas. Esse número pode parecer pequeno (22%), mas representa a maioria das investigações realizadas pela PF.
    Segundo um estudo realizado pela FIESP, o PIB per capita brasileiro subiria em 15% se o Brasil figurasse entre os menos corruptos. Nosso país ocupa a vergonhosa 75ª. posição dentre os países mais corruptos do mundo.
    A cada dia ouvimos uma nova denúncia. Da mesma forma, vemos declarações de cidadãos condenando a prática criminosa, mas o que constatamos é que numa situação propícia inúmeros daqueles que condenam o ato acabam por praticá-lo.
    Mas onde quero chegar com tudo isso?
    Quero um país ético, que tenha vergonha de informações como essas que acabei de relatar. Se há corrupção é porque existem pessoas dispostas a cometê-la, ou pior, apenas aguardando a oportunidade para tal.
    Uma intervenção de um policial quando se está em excesso de velocidade (não tem como deixar passar essa, seu guarda), ou ainda a fiscalização de um membro da Receita Federal (poxa vida, não tem jeito, Sr. Fiscal?), ou pior, em ano eleitoral (eu voto no senhor, mas tem como me arrumar uma cesta básica?).
    Caros amigos, leitores e seguidores, convido-os a continuar esse post através dos seus comentários, vamos debater nossas mazelas e buscar melhoramentos para nosso país.


    Valdemiro Kreusch Júnior

    sábado, 28 de agosto de 2010

    AS CIDADES E O PROBLEMA DO LIXO

    Uma produção de Pixar Animation Studios, Wall-e, apresenta o planeta terra tomado pelo lixo produzido pelos seres humanos e deixado para trás após a fuga para o espaço. Um desenho encantador, mas uma ficção monstruosa.
    Imagine, caro leitor, tomando as devidas proporções, o que nós estamos fazendo com o nosso país, com o mundo? Caminhamos para um futuro semelhante.
    Cada cidade possui em sua região metropolitana um aterro sanitário, também conhecido como lixão. Um local fétido, contaminado e contaminante. Uma bomba relógio prestes a explodir. Será essa a melhor solução para os rejeitos da sociedade? Não haverá uma outra alternativa social, econômica e ambientalmente viável?
    A resposta é sim, existe há mais de 1000 anos.
    Um processo de biodigestão anaeróbica realiza a decomposição das matérias orgânicas resultando em 2 produtos:
    - O gás metano, o qual pode ser utilizado em fogões, tal como o GLP, porém, presrvando as reservas fósseis naturais, ou seja, temos aqui uma fonte de energia reciclada;
    - A biomassa, cujas propriedades são relevantes na utilização na lavoura, como adubo.
    Temos algumas soluções neste sentido implantadas ao redor do mundo (europa) e uma experiência nacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão.
    Estamos em ano eleitoral e não encontrei em nenhum programa uma só proposta tendente a solucionar essa situação. Não posso acreditar que nenhum dos tantos intelectuais e técnicos envolvidos nas campanhas pensou nisso.
    Convido a vocês, caros leitores a participar da discussão aqui no blog, sugiram soluções, convidem outras pessoas a participar desse espaço democrático e construtivo. Vamos debater o assunto agora para que não precisemos fugir para o espaço, tal como feito em Wall-e.
    Grande abraço a todos.

    Valdemiro Kreusch Júnior

    quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    LIMITAÇÕES INCURÁVEIS DO PARLAMENTARISMO


    Em artigo à revista Caros Amigos, István Mészáros – um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos – analisa os limites da atuação institucional e afirma que os partidos operários que buscam a transformação radical pelo parlamentarismo estão fadados ao fracasso.
    Por István Mészáros
    É significativo que a crítica do sistema parlamentar seja quase tão antiga quanto o próprio Parlamento. A exposição de suas limitações incuráveis sob uma perspectiva radical não começou com Marx. Consideramos que é poderosamente expressa já nos escritos de Rousseau. Partindo do pressuposto de que a soberania pertence ao povo e que, portanto, não pode ser alienada por meio de leis, ele argumenta que, pelas mesmas razões, não pode ser legitimamente transformada em qualquer forma de representação:

    Os representantes do povo não são nem podem ser seus representantes; não passam de seus comissários, nada podendo concluir em definitivo. É nula toda a lei que o povo não ratificar diretamente; em absoluto, não é lei. O povo inglês pensa ser livre e muito se engana, pois só o é durante a eleição dos membros do Parlamento; uma vez eleitos, ele é escravo, não é nada. Durante os breves momentos de sua liberdade, o uso que dela faz mostra que merece perdê-la.
    Jean-Jacques Rousseau, The Social Contract (Londres, Everyman, 1993), p. 266. [Ed. bras.: O contrato social, São Paulo, Abril Cultural, 1978, p. 108.]

    Rousseau fez ainda a importante observação de que, embora não se possa divorciar o poder Legislativo do povo, nem mesmo por meio da representação parlamentar, as funções administrativas ou “executivas” devem ser consideradas sob uma luz muito diferente. Como explicou:
    no exercício do poder Legislativo, o povo não [pode] ser representado, mas tal pode e deve acontecer no poder Executivo, que não passa de força aplicada à lei.

    Assim, o filósofo propôs um exercício muito mais prático de poder político e administrativo do que lhe é creditado, ou de que é acusado por seus detratores até mesmo da esquerda.

    Na deturpação tendenciosa da posição de Rousseau, os dois princípios de importância vital de sua teoria, adaptados de maneira conveniente também pelos socialistas, foram desqualificados e abandonados. Contudo, a verdade da questão é que, por um lado, o poder de tomada de decisões fundamentais nunca deveria ter sido divorciado das massas populares, como demonstrou de modo conclusivo a história de verdadeiro horror do sistema estatal soviético, administrado da forma mais autoritária contra o povo pela burocracia stalinista em nome do socialismo. Por outro lado, e ao mesmo tempo, o cumprimento de determinadas funções administrativas e executivas em todos os domínios do processo de reprodução social pode certamente ser delegado a membros da comunidade, contanto que isso seja realizado de maneira autônoma no âmbito das regras estabelecidas e devidamente controladas em todas as fases da real tomada de decisão pelos produtores associados.

    Assim, as dificuldades não residem nos dois princípios básicos tais como formulados por Rousseau, mas no modo pelo qual devem ser relacionados ao controle político e material do processo sociometabólico pelo capital. O estabelecimento de uma forma socialista de tomada de decisão, em conformidade com os princípios da inalienabilidade do poder de determinar as regras (isto é, a “soberania” do trabalho não como uma classe particular, mas como condição universal da sociedade) e da delegação de papéis e funções sob condições específicas, bem definidas, com distribuição flexível e supervisão adequada, exigiria invadir e uma radical reestruturação de todos os domínios materiais antagônicos do capital.

    Um processo que realmente deve ir muito além do princípio da soberania popular inalienável de Rousseau e seu corolário delegatório. Ou seja, em uma ordem socialista, o processo “legislativo” deveria ser fundido ao próprio processo de produção de tal modo que a necessária divisão horizontal do trabalho fosse adequadamente complementada em todos os níveis, do local ao global, por um sistema de coordenação autodeterminada do trabalho.

    Essa relação está em nítido contraste com a perniciosa divisão vertical do trabalho do capital, complementada pela “separação dos poderes” em um “sistema político democrático” alienado e imposto inalteravelmente às massas trabalhadoras. Pois, a divisão vertical de trabalho sob comando do capital necessariamente afeta e infecta de forma incurável cada faceta da divisão horizontal do trabalho, desde as funções produtivas mais simples até os processos mais complexos da selva legislativa. E esta é uma selva cada vez mais densa não só porque a infinita multiplicação de suas regras e seus componentes institucionais devam desempenhar papel vital em manter firmemente sob controle o comportamento real ou potencialmente desafiador do trabalho recalcitrante, limitando-se a vigiar as disputas do trabalho e salvaguardar a dominação global do capital sobre a sociedade em geral.

    Além disso, em qualquer tempo particular do processo histórico em desdobramento, eles devem conciliar de alguma forma – desde que tal conciliação seja possível – os interesses distintos da pluralidade de capitais com a dinâmica incontrolável da totalidade do capital social, que tende por último a sua autoafirmação como entidade global.

    Naturalmente, as mudanças fundamentais necessárias para assegurar e salvaguardar a transformação socialista da sociedade não podem se realizar dentro do domínio político tal como foi constituído e ossificado durante os últimos quatrocentos anos de desenvolvimento capitalista. Pois, o desafio incontornável a esse respeito exige a solução de um problema mais desconcertante. Ou seja, o capital é a força extraparlamentar par excellence da nossa ordem social e, ao mesmo tempo domina completamente o Parlamento enquanto, fi ngindo ser simplesmente parte dele, operando pretensamente em relação às forças alternativas do movimento operário numa base totalmente equitativa.

    Embora o impacto dessa situação seja profundamente enganoso, nossa preocupação não é simplesmente com a questão da aparência enganosa de que os representantes do movimento operário são vítimas pessoais. Em outras palavras, não se trata de uma condição de que o povo hoje enganado possa em princípio se desembaraçar por meio do esclarecimento ideológico-político apropriado, sem necessidade de alterar radicalmente a ordem reprodutiva social arraigada como um todo. Lamentavelmente é algo muito mais grave do que isso, pois a falsa aparência em si resulta de determinações estruturais objetivas e é constantemente reforçada pela dinâmica do sistema do capital em todas as suas transformações.

    Em certo sentido, o problema subjacente pode ser caracterizado resumidamente como aseparação historicamente estabelecida entre a política – perseguida no Parlamento e em todos os seus vários corolários institucionais – e a dimensão reprodutiva material da sociedade tal como corporificada e, em termos práticos, renovada na multiplicidade de empresas produtivas. Em seu desenvolvimento histórico contingente, o capitalismo teve de se desenvolver e se afirmar como ordem social reprodutiva contra as restrições reprodutivas políticas e materiais feudais então prevalecentes. De início, ele não assumiu a forma de uma força política unificada que enfrentava frontalmente a ordem política feudal. Isso só veio a ocorrer relativamente mais tarde, no estágio histórico particular das revoluções burguesas vitoriosas em alguns dos países mais importantes, quando o terreno material favorável aos processos capitalistas já estava bem avançado naquelas sociedades.

    As primeiras manifestações de desenvolvimento capitalista surgiram com a emergência da multiplicidade de empresas produtivas, livres em seu contexto local do constrangimento político da servidão feudal. Na verdade, elas se tornavam cada vez mais signifi cativas ao conquistar materialmente uma parcela cada vez mais importante de mudança dinâmica do processo geral de reprodução social.

    Entretanto, o avanço bem-sucedido das unidades materiais reprodutivas por si só estava longe do fim da história, apesar de suas conceituações teóricas unilaterais, pois a dimensão política estava sempre presente de alguma forma. De fato, ela teve de desempenhar um papel cada vez maior, apesar de sua articulação peculiar, quanto mais desenvolvido se tornava o sistema capitalista. De alguma forma, foi necessário reunir a grande multiplicidade de unidades materiais reprodutivas centrífugas sob a abrangente estrutura política do Estado capitalista, de forma a evitar o colapso da ordem sociometabólica do capital na ausência de uma dimensão coesiva.

    O presunçoso desejo de regulação da todo-poderosa “mão invisível ” reguladora pareceu ser uma explicação alternativa adequada para o papel realmente importante da política. As ilusões necessariamente associadas com a evolução do desenvolvimento capitalista foram bem ilustradas pelo fato de que – na época em que o sistema se tornava mais consolidado, além de garantido politicamente pelo Estado capitalista, depois da derrota do adversário feudal um século antes na Guerra Civil e na Revolução Gloriosa – uma figura notável da economia política clássica, Adam Smith, quis proibir completamente “todo estadista, conselho ou senado” de envolvimento significativo em assuntos econômicos, descartando inclusive a ideia de tal envolvimento como “loucura e presunção perigosa”. O fato de Smith ter adotado essa posição era compreensível, já que ele defendia a posição de que a ordem reprodutiva capitalista representava “o sistema natural da perfeita liberdade e justiça”. Assim, numa concepção semelhante da ordem de reprodução não poderia haver necessidade de intervenção reguladora da política, nem se admitiria umespaço conceitual para tal. Isso porque, na visão de Smith, a política só poderia interferir em tal “sistema natural” – de que se poderia afirmar estar em completa sintonia com as exigências da liberdade e justiça – de uma forma adversa e prejudicial, uma vez que, por sua própria natureza, já estava predestinado para o bem de todos e nesse sentido perfeitamente administrado pela “mão invisível”.

    O que estava completamente ausente do quadro desenhado por Smith era sempre a questão vital das relações de poder social inerentemente conflituosas da realidade existentes, sem as quais a dinâmica do desenvolvimento capitalista não pode ser de modo algum inteligível. Entretanto, o reconhecimento dessa relação conflituosa tornaria absolutamente essencial oferecer também uma forma adequada de explicação política. Compreensivelmente, esta não poderia ser concedida pelo grande economista escocês – o que é compreensível –, pois segundo sua teoria, o lugar das relações conflituosas de poder social foi tomado pelo conceito, miticamente inflado, da “situação local ” associado à noção das correspondentes empresas particulares localmente pertencentes a indivíduos puramente autointeressados que inconscientemente – mas ainda assim de forma ideal para o benefício de toda a sociedade – geriam seu capital produtivo sob a misteriosa orientação da “mão invisível”. Essa concepção individua lista de orientação local – harmoniosamente abrangente e universalmente benéfica – das relações de poder insuperavelmente conflituosas do capital estava muito distante até mesmo da realidade do próprio Adam Smith, para não mencionar a variedade “globalizada” atual.  O grande defeito dessas concepções, que foram tantas, mesmo durante o século XX, foi a incapacidade de reconhecer e explicar teoricamente a conexão imanente objetiva – que sempre prevaleceu apesar da aparência enganosa de separação inalterável – entre as dimensões política e de reprodução material do sistema do capital. De fato, sem a relação imanente entre essas duas dimensões, a ordem sociometabólica estabelecida não poderia funcionar nem sobreviver durante qualquer intervalo de tempo.

    Contudo, é igualmente necessário enfatizar, no mesmo contexto, que a inter-relação paradoxal entre as duas dimensões vitais do sistema do capital – decepcionante em sua aparência, mas enraizada em determinações estruturais objetivas – tem implicações de longo alcance para a instituição bem-sucedida da alternativa socialista. Por essa razão, é inconcebível superar substancialmente a ordem estabelecida pela simples derrubada política do Estado capitalista, muito menos pela vitória sobre as forças de exploração no âmbito de determinada estrutura de legislação parlamentar.

    Esperar a solução dos problemas estruturais fundamentais primariamente pela derrubada política do Estado capitalista não permite tratar de forma duradoura a ligação mistificadoramente compartimentada, mas necessária, entre a dimensão política e de reprodução material herdada do sistema do capital. É por essa razão que a reconstituição radical historicamente viável da unidade indissolúvel das esferas reprodutiva material e política em base permanente continua sendo o requisito essencial do modo socialista de controle sociometabólico.

    (...)
    Não pode haver estratégia realista de transformação socialista sem prosseguir com firmeza na realização da unidade das dimensões política e material de reproduçãotambém no domínio organizacional. De fato, o grande potencial emancipatório dos sindicatos consiste precisamente em sua capacidade de assumir (pelo menos em princípio) um papel político radical, bem além da função política conservadora que hoje tendem em geral a cumprir. E tal potencial é viável pela tentativa consciente de superar a fatídica separação entre o braço industrial do movimento operário (eles próprios) e o braço político (os partidos no Parlamento), separados sob o invólucro capitalista de ambos por meio da aceitação da dominação parlamentar pela maioria do movimento operário ao longo dos últimos 130 anos.

    O surgimento da classe operária na cena histórica foi apenas um acréscimo inconvenienteao sistema parlamentar, constituído bem antes de as primeiras forças organizadas do movimento operário tentarem manifestar em público os interesses vitais de sua classe. Do ponto de vista do capital, a resposta imediata a esse inconveniente mas crescente “incômodo” foi a rejeição e a exclusão dos grupos políticos operários. Mais tarde, entretanto, uma ideia muito mais adaptável foi instituída pelas personificações políticas mais ágeis do capital: domesticar de algum modo as forças do trabalho. Ela assumiu de início a forma do patrocínio parlamentar paternalista de algumas demandas da classe trabalhadora por partidos políticos burgueses relativamente progressistas e, mais tarde, a da aceitação da legitimidade dos partidos da classe trabalhadora no próprio Parlamento, embora, é claro, de uma maneira estritamente circunscrita, obrigando-os a se conformar às “regras democráticas do jogo parlamentar”.

    Inevitavelmente, isso significou para os partidos operários apenas o “consentimento livre” da sua efetiva acomodação, mesmo que pudessem manter por um longo período a ilusão de que com o passar do tempo eles seriam capazes de corrigir radicalmente a situação pela ação parlamentar a seu próprio favor. Assim a força extraparlamentar original e potencialmente alternativa do trabalho transformou-se, na organização parlamentar,permanentemente desfavorecida. Embora esse curso de desenvolvimento pudesse ser explicado pelas fraquezas óbvias do trabalho organizado em seu início, argumentar e justificar desse modo o que havia realmente acontecido, nas atuais circunstâncias, é apenas mais um argumento a favor do beco sem saída da social-democracia parlamentar. Pois a alternativa radical de fortalecimento da classe trabalhadora para se organizar e se afirmar fora do Parlamento – por oposição à estratégia derrotista seguida ao longo de muitas décadas até a perda completa de direitos da classe trabalhadora em nome do “ganhar força” – não pode ser abandonada tão facilmente, como se uma alternativa de fato radical fosse a priori uma impossibilidade. Especialmente porque a necessidade de ação extraparlamentar sustentada é absolutamente vital para o futuro de um movimento socialista rearticulado radicalmente.

    István Mészáros nasceu no ano de 1930, em Budapeste, Hungria, onde graduou-se em filosofia e tornou-se discípulo de Georg Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália. Ministrou aulas em diversas universidades, na Europa e na América Latina. Recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Sussex em 1991.

    * Trecho extraído do livro Atualidade histórica da ofensiva socialista: Uma alternativa radical ao parlamentarismo, de István Mészáros (Boitempo Editorial, 2010)

    quinta-feira, 19 de agosto de 2010

    ECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO.

    Vamos estrear o blog com um assunto bastante interessante: ecologia e desenvolvimento.
    Foi sancionada, no último dia 2, a Lei Federal número 12.305, a qual estabelece a obrigação de ações de logística reversa aos fabricantes.
    A referida legislação impõe a alguns setores da economia o encargo de captar as embalagens ou resíduos gerados pelos produtos colocado no mercado, objetivando dar-lhes o destino adequado, sob pena de multas administrativas que poderão chegar a R$ 50 milhões, sem falar na possibilidade de detenção dos representantes da empresa que não cumprir com a nova norma.
    É lamentável haver a necessidade de uma legislação tratando do assunto, pois me parece uma questão de responsabilidade sócio-ambiental das empresas recolher os efluentes gerados pelos produtos colocados a venda. De qualquer maneira esse é um primeiro passo para a moralização do consumo.

    quarta-feira, 18 de agosto de 2010

    A CASA ORGÂNICA - EARTHSHIPS

    Uma ideia genial. A construção de uma casa utilizando pneus, latinhas de alumínio e outros materiais rejeitados pela sociedade, cerca de 45% dos materiais utilizados na construção são reciclados. Sem falar na reutilização das águas e produção eletricidade e de alimentos.
    Enfim, um ambiente autosustentável.
    Não bastasse o apelo ambiental essas construções são térmica e acusticamente preparadas.
    Um modelo surgido nos EUA, no estado do Novo México, criado e implementado pelo arquiteto Michael Reynolds. Uma arquitetura agradável aos olhos e ao mundo.
    No Brasil, um casal está construindo sua casa orgânica. Vale a pena conferir os vídeos que postaram no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=2mRiij7URtc

    MARKETING PESSOAL. ENTREVISTA PARA UM EMPREGO.

    Um desafio e tanto; Participar de uma entrevista para um emprego. Você se prepara, fica ansioso, as mãos suam, gagueira e lá se vai a oportunidade por água a baixo.
    Antes fossem apenas esses os problemas encontrados. Não raro, o que vemos é um candidato a emprego despreparado e que quer saber, antes de qualquer coisa, qual o salário, quais os benefícios, sem nem mesmo perguntar o que fará na posição pretendida.
    Caros colegas, a etiqueta empresarial exige dos candidatos além de atualização constante, seja qual for a função, interesse pelo trabalho e principalmente uma perspectiva de futuro, pois contratar custa caro. 
    Ao contratar, os profissionais de RH buscam pessoas com algumas competências básicas, pessoais e profissionais, das quais listo algumas:
    - Ser feliz consigo; (ninguém quer trabalhar com uma pessoa que vive mal humorada)
    - Amar o que faz; (sem amor você será infeliz)
    - Aceitar desafios; (fuja da comodidade, desafie-se e aceite ser desafiado)
    - Fazer sempre o melhor; (dispensa comentários)
    - Auto motivação; (a pessoa deve encontrar o motor que lhe impulsiona às realizações)
    - Escolher a profissão; (planejar sua carreira e encontrar a profissão que o realize)
    - Manter-se atualizado; (o mundo está muito veloz e você não pode ficar para trás).
    Essas são apenas algumas das competências que esperamos encontrar num candidato. A dica final é: esteja preparado, pois a vaga espera o candidato certo. O próximo pode ser você. Boa sorte.